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Roberto Acioli de Oliveira

24 de ago de 2011

Antoni Gaudí


Um
eucali
pto
foi o modelo
para a construção
da nave central
da Sagrada
Família
(1)

Estudante não muito brilhante durante a adolescência, no futuro Antoni Gaudí (1852-1926) espalharia seus famosos projetos arquitetônicos não convencionais pela cidade de Barcelona, na Espanha. Na Universidade, seus professores de arquitetura notaram sua obstinação, mas não sabiam dizer se Gaudí era um gênio ou um louco. Já formado, logo se afastaria dos cânones acadêmicos da arquitetura de seu tempo. (imagem ao lado, nave central, Sagrada Família)

Ou melhor, mudanças estavam ocorrendo na Europa, mas Portugal e Espanha viviam numa espécie de mundo à parte. A história se transformara numa ciência e estava na moda, assim como o Romantismo (em oposição ao Classicismo) e os jardins ingleses (que opunham às linhas retas dos jardins franceses sua proposta paisagística, privilegiando o crescimento natural das plantas). A Idade Média e o estilo Gótico também estavam na moda. Crescia o desinteresse pela rigidez da linha reta, que perdia espaço para linhas emaranhadas ornamentais – que se transformaria na característica marcante da Arte Nova. Gaudí estava aberto às novidades, mas não copiava nada com exatidão – assim como o neo-gótico, os estilos mourisco e mudejar são bastante visíveis (2). A pureza dos estilos nunca foi importante para ele, talvez por esse motivo Gaudí tenha se tornado um exemplo entre muitos arquitetos pós-modernos (3).


“Os seus
desenhos
parecem esboços impr
essionistas, de
maneira nenhuma
desenhos de
arquitetos
(4)


A falta de reconhecimento público oficial iria acompanhar a vida de Gaudí, o que lhe dava a sensação de haver falhado em seu trabalho (imagem acima, teto na Casa Batlo). Provavelmente, afirma Rainer Zerbst, em função do caráter pouco convencional das idéias do arquiteto. O único prêmio que ganhou foi por um projeto bastante convencional, a Casa Calvet (1898-1900) - em 1878, a cidade de Barcelona encomenda-lhe um poste de iluminação pública. Mas Gaudí tinha seu trabalho reconhecido por alguns mecenas, para quem realizou várias obras importantes – sempre teve muitas encomendas. Eusebi Güell i Bacigalupi grande amigo e mecenas provavelmente foi o responsável pelo primeiro contato de Gaudí com a Arte Nova – o Palácio Güell ficou pronto em 1889. Curiosamente, ele ainda não era muito conhecido quando recebeu a encomenda para a construção da igreja consagrada à Sagrada Família – na verdade, Gaudí assumiu o trabalho quando outro arquiteto abandonou o projeto. Em 3 de novembro de 1883, Gaudí assume o projeto que o iria ocupar até o fim da vida.



O grande e sinuoso
banco no Parque Güell
é como um quadro de
Miró antes de Miró
(5)




Reza o contrato que a Igreja da Sagrada Família devia ser financiada apenas por esmolas e doações. Algumas vezes o próprio Gaudí caminhou com o chapéu na mão em busca de dinheiro para tocar a obra. A partir de 1914, passaria a trabalhar exclusivamente nesse projeto. O que distinguia Gaudí em relação aos artistas da Arte Nova era seu interesse nos elementos da natureza. Os ornamentos da Arte Nova realmente se orientam pelas formas naturais, mas segundo Zerbst permanecem meramente decorativos e bidimensionais. Para Gaudí, a natureza era uma força motriz agindo por trás das formas visíveis. Utilizou pouco cimento em suas obras e chegou a dar como exemplo de modelo uma árvore. Na nave central da Sagrada Família é possível perceber uma floresta de colunas ramificando-se em todas as direções. Certo do dia em Barcelona um homem se dirigiu à Igreja de São Filipe Néri, como costumava fazer todas as tardes. No caminho foi atropelado por um bonde. Como estava vestido modestamente, os motoristas de táxi recusaram-se a levá-lo ao hospital. Restou-lhe o socorro dos transeuntes, mas não conseguiram evitar sua morte. Era Antoni Gaudí, encontrando seu destino final em 12 de junho de 1926. Gaudí não deixou quase nada escrito sobre suas idéias, tendo o debate em torno delas arrefecido depois de sua morte. Com metas totalmente opostas, a visão de mundo da Bauhaus dominaria a cena a partir de então.

Notas:

A Saga dos Dialetos Italianos no Cinema
Ingmar Bergman e a Vida de Casado
Ricota de Pasolini
A Chinesa e o Cinema Político de Godard
A Arte na Arte de Valerio Zurlini
A Mulher Casada e a Censura na França de Godard
Akira Kurosawa e seus Seres Humanos
Grécia de Pasolini
A Poesia e o Cinema em Tarkovski
Sergio Leone e a Trilogia do Homem sem Nome
A Religião no Cinema de Luis Buñuel
Kieślowski e o Outro Mundo
Algumas Mulheres de Fellini em A Doce Vida e Amarcord
Roma de Pasolini
Godard e a Distopia de Alphaville (final)

1. ZERBST, Rainer. Antoni Gaudí. Köln: Benedict Taschen, 1993. P. 208.
2. Idem, pp. 6, 10, 15, 19-22, 24, 30, 33.
3. JENCKS, Charles. The Language of Post-Modern Architecture. New York: Rizzoli, 6ª ed., 1991. Pp. 70, 105.
4. ZERBST, R. Op. Cit., p. 33.
5. Idem, p. 160. 


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