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Roberto Acioli de Oliveira

27 de jun de 2012

O Homem-Lama e Sua Turma


Não se trata aqui dos políticos brasileiros - suas máscaras são muito difíceis de compreender, ainda que facilmente identificáveis. Estamos na porção oriental da Papua-Nova Guiné, grande ilha situada ao sul do Oceano Pacífico e ao norte da Austrália, onde ainda existem grupos indígenas relativamente isolados e com seus costumes razoavelmente não contaminados por hábitos de consumo ocidentais (pelo menos até que as redes de televisão do mundo os estuprem com seus repórteres e suas câmeras). Algumas dessas nações indígenas são mundialmente reconhecidas pela beleza e complexidade de suas máscaras e pintura corporal e facial. Ao contrário do que possa parecer, o que une os seres humanos são suas diferenças, algumas culturas humanas cobrem os corpos da cabeça aos pés, enquanto outras os desnudam completamente (seja porque vivem na selva ou porque buscam maior contato com seus corpos, ou, ainda, porque os vendem como mercadoria). Em relação a vários de seus vizinhos, os Homens-Lama da Papua não podem ser considerados os mais criativos em termos de pintura corporal e máscaras.

Por outro lado, devemos ter em conta que a função da lama na cultura Papua é bastante abrangente. É uma prática comum cobrir o rosto, a cabeça e até o corpo todo com barro/argila em toda a Oceania (fonte da fotografia, Malcolm Kirk). Além de sinal de luto depois da morte de um parente, também pode ter como função ocultar-se do espírito da pessoa morta. Malcolm Kirk afirma que o barro seco se esfarelando na pele já foi comparado à pele em decomposição de um cadáver (1). Em outras áreas, a lama também possua uma função preponderante em cerimônias de iniciação dos garotos. A função da lama entre os Homens-Lama da região do rio Asaro é de outra ordem. Certa vez sua aldeia foi atacada, os guerreiros fugiram e se esconderam no lamaçal da margem do rio. Depois de algum tempo, alguns deles voltaram para verificar se os inimigos haviam se retirado. Entretanto, na medida em que rastejavam até a aldeia, a lama secou em seus corpos. Ao avistarem aquelas figuras, o inimigo as confundiu com espíritos malignos e fugiu (2). Para aqueles que conhecem a fama dos políticos brasileiros, é difícil imaginar a lama como uma fonte de proteção – embora os faça realmente parecer espíritos malignos.

Notas:

Leia também:


1. KIRK, Malcolm. Les Papous. Peintures Corporelles, Parures et Masques. Fribourg /Suisse: Medea Diffusion S.A., 1986. P. 21.
2. PETER, Hanns. Protective Clay: Symbol of Mourning and Death. In: GRÖNING, Karl. Decorated Skin. A World Survey of Body Art. London: Thames and Hudson, 1997. P. 83.


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