Este sítio é melhor visualizado com Mozilla Firefox (resolução 1024x768/fonte Times New Roman 16)

Roberto Acioli de Oliveira

Arquivos

Mostrando postagens com marcador Deus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Deus. Mostrar todas as postagens

31 de ago. de 2012

O Deus Tubarão e o Bicho Homem


 

Nas artes
as referências
ao tubarão surgem no
século XIX. Por outro lado,
e como sugere Moby Dick,
naquela época a baleia
parecia apavorar
ainda mais





Os polinésios falavam de Kauhuhu, o deus tubarão que ficava numa grande caverna, palácio de onde nenhum visitante jamais retornou. Segundo a mitologia dos aborígenes da Austrália, o tubarão tigre Bangudja atacou um homem golfinho no golfo de Carpentária, aí deixando uma grande mancha vermelha que ainda pode ser vista hoje nas montanhas da ilha de Chasm. Os indígenas das ilhas Salomão, cuja religião é povoada por espectros, espíritos e outras manifestações sobrenaturais, acreditam que os corpos dos tubarões são habitados pelos fantasmas dos mortos. Entre os índios norte-americanos que habitavam a costa do Oceano Pacífico, as representações picturais de “cachorros do mar” eram frequentes, em memória de uma mulher que foi levada por um tubarão para se tornar um deles. Com exceção dos povos do Pacífico, as outras culturas jamais tiveram um tubarão como símbolo. As lendas europeias nunca mencionam esse animal, igualmente ausente das fábulas de Esopo. No mundo ocidental, os tubarões surgirão apenas nos livros de história natural ou nos livros de bordo dos marinheiros, onde se fala muito dessas criaturas às vezes de grande tamanho e muito misteriosas. De acordo com Richard Ellis, foi apenas recentemente que o terror em torno da imagem do tubarão entrou em nossa consciência coletiva, e talvez o cinema tenha muito a ver com isso. Depois de Tubarão (Jaws, direção Steven Spielberg, 1975), adaptação de um best-seller de Peter Benchley, espalhou o pânico pelo mundo (1). (imagem acima, Watson and the Shark, John Singleton Copley, 1778; abaixo, The Gulf Stream, Winslow Homer, 1899; há quem diga que o tubarão em primeiro plano na segunda pintura é uma cópia do tubarão da pintura de Singleton)


As poucas
pinturas do século
XIX que mostravam
 tubarões, sempre como
 animais ferozes, foram consideradas muito
 deprimentes, sem 
interesse



Em 1952, Ernst Hemingway fez referência ao tubarão em O Velho e o Mar. Antes disso, Willian Shakespeare fez o mesmo no século XVII, em Macbeth (ato IV, cena 1). Ellis resgatou em 1987 o relato de Moses, um indígena da ilha de Malaita, no arquipélago das ilhas Salomão, no Pacífico sul. Nessa lenda antiga, Moses conta que três anos antes estava pescando e um tubarão se prendeu em sua rede. Ele o levou para a praia e o soltou, em nenhum momento o animal tentou mordê-lo. Na terra de Moses, desde tempos imemoriais, seu povo convive com os tubarões, que são considerados seres humanos. Eles salvam os seres humanos de afogamentos e os guiam pelo mar. Entretanto, aparentemente, os aborígenes de outras partes não são respeitados, mas comidos pelos tubarões. Moses explicou que a razão disso está na lenda de uma mulher que deu a luz um tubarão, desde então o peixe é venerado e deixaram de atacar os humanos da laguna onde vive seu povo. O espírito daquela mulher entrou no tubarão, razão pela qual venerar o tubarão é o mesmo que venerar os ancestrais da tribo. Em certa ocasião festiva, o povo de Moses “chama” os tubarões até a praia e oferece a mesma carne de porco que eles estão comendo. Enquanto isso, mulheres e crianças nadam entre os tubarões, falando com eles e os acariciando. Não tentem lidar com os tubarões como o povo de Moses, a não ser que tenham o corpo “blindado” (fechado?), como certos políticos brasileiros.


Nota:

Leia também:

1. ELLIS, Richard. Mythe et Realite. In: STEVENS, John D. Les Requins. Paris: Bordas, 1987. Pp. 170-183.
 

23 de abr. de 2009

Purgatorium: A História de Uma Palavra (I)




Nas inflamadas
discussões entre católicos
e protestantes
no século XVI,
os últimos reprovavam a crença
católica no Purgatório
- para eles
não passava de um além
“inventado”
que
não estava nas Escrituras.
Lutero
o chamava de
“o terceiro lugar”
(1)



O Segundo Andar

A palavra Purgatorium não existe como substantivo, que surge ao lado do adjetivo purgatorius somente a partir da segunda metade do século XII. Antes disso, O Purgatório não existe. A iconografia do Purgatório só teria se expandido no final do século XIV, embora alguma coisa também se possa encontrar no século anterior. Os momentos mais fervorosos do Purgatório estendem-se do século XV ao XIX. O sistema da solidariedade entre vivos e mortos através do Purgatório tornou-se uma cadeia circular sem fim, uma corrente de reciprocidade perfeita (2). No século XIII, o Purgatório havia modificado a atitude dos cristãos perante os últimos momentos da vida. (imagem acima, parte do tríptico Os Bem Aventurados e os Condenados [?], de Hieronymus Bosch, 1500)

“(...)O Purgatório dramatizou essa última parte da existência terrena, carregando-a de intensidade misturada de temor e esperança. O essencial, a escolha do Inferno ou do Paraíso, visto que o Purgatório era a antecâmara certa do Paraíso, podia ainda jogar-se no momento derradeiro. Os últimos instantes eram também os da última oportunidade (...)” (3)

Jacques Le Goff se pergunta, “(...) não teria sido a preocupação principal da Igreja manter o Inferno eterno? O fogo purgatório temporário não teria sido a exaltação do fogo inextinguível? (...) O Purgatório não teria sido o preço pago pela Igreja para conservar a arma absoluta, a condenação eterna? (...)” (4)

Quantos Andares Têm Essa Casa, Afinal?


“Organizar o espaço do
seu além foi uma operação
de grande alcance para a
sociedade cristã”

Jacques Le Goff (5)



De acordo com a perspectiva de Jacques Le Goff, a construção secular da crença no Purgatório modifica profundamente o imaginário cristão. Segundo o historiador, numa sociedade impregnada de religião como a cristandade da longa Idade Média que se prolongou da Antiguidade tardia até a revolução industrial, mudar a geografia do além, modificar o tempo após a vida, significa mudar a vida das pessoas literalmente.

“É evidente que o aparecimento de tal crença esta ligado a alterações profundas da sociedade em que se produz. Que relações mantêm esse novo imaginário do além com as mudanças sociais, quais as suas funções ideológicas? O controle estrito que a Igreja exerce sobre ele, chegando mesmo a uma partilha do poder sobre o além entre ela e Deus, prova que o que estava em jogo era importante. Por que não deixar os mortos vagar ou dormir?” (6) (acima, parte do tríptico O Último Julgamento, também de Bosch, entre 1450 e 1516)

O “terceiro lugar” irrompe num modelo dualista que o cristianismo herdara das religiões e civilizações anteriores e contemporâneas a ele. Entre um além judaico e outro Romano, o cristianismo privilegiou um modelo que situa o “descanso dos justos” no Céu e o Paraíso na superfície da terra mesmo. Nos mapas medievais, esse espaço terrestre da Idade do Ouro se localiza no Extremo Oriente, com o seu rio de quatro braços criado por Yahvé para “regar o jardim” (Gênesis II, 10). A oposição Inferno-Paraíso era baseada na oposição Terra-Céu. Apesar de subterrâneo, o Inferno era a Terra, que se opunha ao mundo celestial. A sociedade humana deveria ser elevada na direção do Céu. “O próprio Jesus dera o exemplo: depois de ter descido aos Infernos subira ao Céu” (7).

No sistema de orientação do espaço simbólico, lá onde a Antiguidade greco-romana privilegiava a oposição direita-esquerda, o cristianismo privilegia a oposição alto-baixo. Os valores cristãos na Idade Média giraram em torno disso. “Subir, elevar-se, ir mais alto, eis o aguilhão da vida espiritual e moral, enquanto a norma social é ficar no seu lugar, lá onde Deus nos pôs na terra, sem ambicionar escapar à nossa condição, tendo o cuidado de não nos diminuirmos, de não descermos” (8).

Entre o segundo e o quarto séculos, o cristianismo refletiu sobre a situação das almas entre a morte individual e o Julgamento final. Imaginaram que as almas de certos pecadores poderiam, sofrendo talvez uma provação, ser salvas durante esse lapso de tempo. Esse questionamento culminaria com a criação do Purgatório no século XII. Segundo Le Goff, esse nascimento foi negligenciado pelos historiadores, e antes disso pelos historiadores da teologia e da espiritualidade.

Notas:

1. LE GOFF, Jacques. O Nascimento do Purgatório. Lisboa: Editorial Estampa, 2ªed., 1995. P. 15.
2. Idem, pp. 17, 425, 433 e 439.
3. Ibidem, p. 427.
4. Ibidem, p. 428.
5. Ibidem, p. 18.
6. Ibidem, p. 16.
7. Ibidem, p. 17.
8. Ibidem.

29 de mar. de 2009

A Face do Mal (final)


Afinal, Com Quem ele Deveria se Parecer?

Embora a relação da nudez com a desordem do mundo esteja articulada com a nudez do Diabo, geralmente ele está usando uma saia ou tanga que cobre a genitália - e sabemos que ele tem uma genitália, já que o exercício da sexualidade que fez dele um anjo caído. Não se sabe muito bem de onde vem essa saia, mas é considerada sinal de selvageria. O Diabo fica parecendo um homem das cavernas. Portanto, a “nudez” do Diabo aparece em três formas: completamente nu, com saia de homem das cavernas ou totalmente coberto de pêlos (1).

Luther Link sugere que, em função da dificuldade em se encontrar modelos da figura do Diabo, a arte medieval achou o que copiar não na realidade ou em sonhos, mas nos palcos: encenações dos mistérios da Bíblia, ora elogiados ora criticados pelos clérigos entre os séculos X e XIII. O rosto e a forma do Diabo teriam essa como sua fonte mais importante, embora não se possa descartar que também o drama medieval possa ter sido influenciado pela pintura. Sabe-se lá por que, somente a partir do Século XIII é que as asas de morcego substituem as asas de anjo com as quais o Diabo era às vezes representado (2).

O Dilema de Giotto

Uma explicação comum para a diversidade de aparências do Diabo seria sua natureza: ele assume muitas formas. Poucos se dão conta de que as torturas do Inferno que aparecem em pinturas medievais constituem representações exatas das práticas da Inquisição com suas “torturas judiciais” (3). Donatello foi o maior escultor do diabo durante a Renascença, e Giotto foi seu correlato contemporâneo na pintura. Mas os diabos de Giotto eram coisas peludas, barbudos, com garras, possivelmente também derivados das roupas e fantasias utilizadas nas encenações de mistérios. Para Giotto, o mal era real, mas o Diabo não. A definição que Santo Agostinho havia dado para o mal como algo que é a ausência do bom, criaria um problema incontornável para os artistas, especialmente para Giotto. Como representar algo que é ausente? Giotto conseguia situar o mal num ator humano, mas não fora dele.

“Em suas pinturas, é uma forma humana que encarna o mal, mas esta percepção não se limita a Giotto. Essa é a razão subjacente de existirem, antes do século XIX, tão poucas imagens do Diabo feitas por artistas ocidentais que permanecem em nossa memória. ‘Estudar a natureza e não copiar outros pintores é o que faz um verdadeiro pintor’, opinou Leonardo. Mas não se pode pintar o Diabo estudando a natureza” (4)

(imagem acima, à esquerda, São Miguel e o Dragão, Rafael, 1505; imagem acima, à direita, A Traição de Judas, Giotto, 1304-6; ao lado e abaixo, dois detalhes de O Juízo Final, Giotto, 1306)

A transformação de um anjo num animal negro com patas é um das características que definem o tem dos anjos rebeldes, essa idéia fixa regada à falta de imaginação é mais comum até o século XV. Mas então aparecem os Livros de Horas. Destinados aos aristocratas e comerciantes, produzidos por artistas contratados, tinham mais a ver com a transmissão do status de seus donos do que com a palavra divina. Embora girassem em torno dos mistérios da fé, muitos foram perdendo essa característica inicial. De acordo com Link, foi a partir do livro de horas do duque de Berry, produzido pelos irmãos Limbourg, que ocorre uma transformação decisiva na figura de Satã, assim como a mais notável queda de Lúcifer (5).

A Máscara dos Homens

Se o Diabo podia ser tanto um micróbio quanto um anjo caído, qual seria seu rosto? Não poderia ter um rosto, pois não passava de uma abstração! Deveria ser mostrado como uma “pessoa” para poder ser entendido como força maligna. “Era um homem com apenas uma máscara (e nisso nem mesmo era um homem)”. Essa condição facilita descrever o inimigo, pois o Diabo tem o “rosto” do oponente. Na falta de clareza, o Diabo poderia ser tudo. A Igreja (seja qual for) sempre soube disso. “O Diabo sem rosto é um modo eficaz de evitar levar em consideração a oposição e automaticamente colocar Deus do próprio lado” (6).

“Nenhuma outra criatura
nas artes com uma história
tão longa é assim tão vazia
de significado intrínseco
(...)
E se a aparência do Diabo
quase sempre foi determinada
[pela roupa usada] para
personificá-lo
, isto é adequado:
o Diabo é apenas [uma roupa],
mesmo que se tenha tornado
inseparável da pele daqueles
que [a] usam”
(7)

Notas:

1. LINK, Luther. O Diabo. A Máscara sem Rosto. Tradução Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. P. 72.
2. Idem, p. 82 e 86.
3. Ibidem, p. 137 e 148.
4. Ibidem, p. 151.
5. Ibidem, p. 174 e 179.
6. Ibidem, p. 193.
7. Ibidem, p. 205. Link, ou a tradutora, utiliza a palavra “costume” onde me referi a “roupa”.

5 de dez. de 2008

A Cultura da Arma na América do Norte (IV)

“Abençoados os pacificadores; pois eles
serão chamados as crianças de Deus”

Mateus 5:9

Nada Como Uma Guerra Para Aquecer as Vendas

Com o fim da Guerra Civil Americana, não houve um desarmamento das tropas desmobilizadas. Assim, todo o armamento foi levado para casa com os ex-soldados. A unificação do país pela guerra mostrou que a arma de fogo foi o verdadeiro ícone da União. Foram as armas que resolveram o problema da escravidão dos negros e da desunião do país. “Ninguém deve se enganar sobre o significado das armas para vencer a guerra pela liberdade nos Estados Unidos” (1).

Num primeiro momento, o excesso de armas nas mãos da população criou um problema para as fábricas. Elas que haviam enriquecido durante a guerra civil, agora estavam à beira da falência. As companhias que conseguiram atravessar este problema prosperaram e agora a América do Norte começa exportar armas de fogo.


Mas a produção de armas de fogo não é em si mesma suficiente para criar uma cultura da arma. Se assim fosse, a Inglaterra teria desenvolvido esse tipo de cultura bem antes. É necessário existir uma convicção, sustentada pelo governo, de que a posse de armas serve a um propósito social maior. Por exemplo, de que elas preservam a liberdade da nação ou a segurança da família. Os anúncios de todas as fabricantes de armas jogavam com estes dois temas, e com o incentivo de baixos preços (2). Em 1863, ainda durante a guerra civil, um acontecimento mostrou que a relação das pessoas com as armas estava mudando. Pela primeira vez na história daquele país, a polícia atirou numa multidão de trabalhadores manifestantes irlandeses que estavam depredando os escritórios de alistamento militar em Nova York. A multidão depredou também bairros negros e por fim sacou suas próprias armas e atirou de volta na polícia.

A guerra civil inspirou muitas carreiras criminosas depois que o conflito terminou. A taxa de crimes começa a aumentar nas cidades, enquanto muito da violência atribuída ao “velho oeste” não passava de mito. Mesmo quando o assunto era direitos constitucionais da população, grupos de pessoas eram capazes de fazer valer seus interesses pela força das armas. Em 1866, os Republicanos da Louisiana, supostamente apoiados pelo próprio governo Federal, reuniram-se com a intenção de escrever uma constituição dando direitos civis aos negros. Brancos enfurecidos, liderados pela polícia, atacaram o prédio e a população. Trinta e oito pessoas morreram e cento e cinqüenta ficaram feridos. Nada como isso havia ocorrido no país antes (3).

A Propaganda é a Alma do Negócio

O custo das armas de fogo começa a baixar e elas se tornam o equipamento padrão para assassinos e suicidas nos Estados Unidos. Em 1879 uma revista religiosa oferece uma pistola para cada assinatura. A oferta foi muito popular, apenas quatro pessoas reclamaram dessa relação entre religião e armas. Muitas assinaturas foram de sacerdotes. Durante boa parte do século 19, a melhor propaganda era comparar as armas produzidas por sua fábrica com os modelos ingleses. Mas a maioria dos fabricantes manipulava o medo de uma sociedade pesadamente armada. Era a idéia da proteção individual.

Em 1870, todos tinham medo de mendigos e vagabundos. Existia a convicção de que milhares deles espalhavam-se pelo país pensando apenas em assassinato. Foi lançado um revólver que cabia no bolso exatamente para esse tipo de defesa. A propaganda dizia que, mendigos, ladrões e assaltantes infestam todas as partes do país. Mas a solução era óbvia: “Todo mundo deveria se armar”. O medo se tornou o perigo e as pessoas começaram a se armar. Tiros acidentais se tornaram comuns e discussões familiares muitas vezes acabavam em fatalidades. Sem esquecer as balas perdidas.

Na mesma época, era muito bem aceita a frase que dizia que “Deus criou os homens; Coronel Colt os tornou iguais”. A crença de que dois homens armados eram iguais, na verdade, acabou criando problemas para a igualdade na América do Norte pós-guerra civil. Com a liberdade. Os negros também começaram a se armar como símbolo de sua autoridade recém conquistada. Começam a se forma milícias armadas, legais e ilegais, por todo o país. A mais famosa entre as ilegais talvez seja a milícia racista chamada Ku Klux Klan.

O fabricante de armas Samuel Colt referia-se a elas como os “pacificadores”. Em 1861, o reverendo T. C. Browell foi assaltado. No dia seguinte Colt escreveu uma carta e mandou uma cópia para a imprensa: “tomei a liberdade de mandar uma cópia do meu último trabalho em ‘Reforma Moral’, acreditando que, na hipótese de outros saques serem tentados, os perpetradores possam sentir um efeito da influência moral de meu trabalho”. Junto com a carta, Colt mandou um revólver. Em 1872, depois de sua morte, sua companhia cria um revólver chamado “O Pacificador”. A visão de Colt triunfou, naquele ano armas de fogo estavam por todo lado na América do Norte (4). *

Notas:

* As partes I a III deste artigo se encontram no arquivo de novembro de 2008.

1. BELLESILES, Michael A. Arming America. The Origins of a National Gun Culture. New York: Alfred A. Knopf, 2000. P. 431
2. Idem, p. 432.
3. Ibidem, p. 435-6
4. Ibidem, p. 430.

1 de fev. de 2008

Suicídio é Pecado Mesmo?

A partir do século VI d.C. a Igreja Católica passou a considerar o suicídio um pecado. Por que não foi assim desde o princípio? O que levou a esta decisão? A crença na vida após a morte? Na verdade, a crença na vida após a morte é que levava aos suicídios. Para além da vida depois da vida, a Igreja teria tido outros motivos mais terrenos. Suicidas, os primeiros cristãos, trucidados das mais variadas formas, ofereciam-se de bom grado para morrer nas arenas romanas em nome de sua fé. Nessa vida após a morte podemos ir para o paraíso ou para o inferno; dar a vida por sua fé garantiria o paraíso, além de encurtar o tempo de espera. Seja como for, a então nascente Igreja Cristã perdia muitos adeptos. Foi então que ela proibiu ao crente dirigir-se ao atalho do suicídio, testando sua fé durante uma vida toda de martírios e dúvidas. Portanto, a Igreja decretou que o suicida vai para o inferno. Ficando vivos, poderíamos nos testar de outras formas. Mas que formas são essas?
 
***
 
O Novo Testamento, através do qual os cristãos irão diferenciar-se do mundo judaico, não aborda este assunto (1). Quando Cristo diz a João, “minha vida ninguém tira de mim, sou EU que a dou por mim mesmo” e “Dou a minha vida pelas minhas ovelhas” (Evangelho de São João, 10, 15-18), não estaria fazendo uma clara opção pela morte voluntária? Tais afirmativas saídas supostamente da própria boca de Cristo criaram problemas para os teólogos medievais.
 
No contexto de um homem-Deus e da redenção, o suicídio de Jesus ultrapassaria o suicídio “vulgar”. Mas como deve agir o seguidor, o cristão? Ele, que deve imitar seu mestre, é convidado a fazer o sacrifício: “Quem quiser a sua vida, perdê-la-á, mas quem perder a sua vida por Minha causa, encontrá-la-á“ (Evangelho de São Mateus, 16, 25); “Se alguém vem ter Comigo e não me prefere ao seu pai, mãe, esposa, filhos, irmãos, irmãs, e até à própria vida, não pode ser Meu discípulo” (Evangelho de São Lucas, 14, 26); “Quem ama a sua vida perdê-la-á e quem neste mundo a rejeita conservá-la-á para a vida eterna” (Evangelho de São João, 12, 25); “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Evangelho de São João, 15, 13). Em muitas passagens do Novo Testamento Paulo, Tiago, Pedro, Lucas e João abominam (e convidam a abominar) a vida terrena. Ela é desprezível, um exílio que deveria ser o mais breve possível. “Mas, a meus olhos a vida não tem qualquer valor” (Atos dos Apóstolos, 20, 24), assim João ecoa vários textos do Antigo Testamento. (2) 
 
“As primeiras gerações cristãs entendem isso muito bem durante o período das perseguições e entregam-se voluntariamente ao martírio. ‘Eles desprezaram as suas vidas até ao ponto de aceitarem a sua morte’ [Apocalipse, 12, 11], dizia São João nos finais do século I e coloca no céu ‘aqueles que foram decapitados por terem dado testemunho de Jesus e terem acreditado na Palavra de Deus’ [idem, 20, 4]. No século II, São Justino, na sua Apologia, exalta os cristãos a correrem para a morte e no começo do século II Tertuliano e os montanistas (3) abundam em exemplos de cristãos que se entregam por si mesmos ou que, como resposta às autoridades, escolhem deliberadamente a morte”. (4)
 
Nos primórdios da Igreja Cristã, esta tendência se coloca claramente. Mas existe uma diferenciação entre a morte do desespero e a do mártir. O desesperado é um pecador, porque ele permitiu que o diabo o convencesse a condenar a si mesmo e também duvidar da misericórdia divina (5). Muita habilidade teológica fora empregada para proclamar a interdição do suicídio, o caso do suicídio de Judas talvez se enquadre nesse contexto como uma pedagogia que o crente deverá assimilar. O ato fundador do cristianismo é um suicídio, e seus discípulos exaltavam o sacrifício voluntário(6). Durante os três primeiros séculos, a Igreja se interroga sobre o exemplo de Cristo. Falsa visão do martírio? Para se opor ao donatismo, que exaltava o ato, no ano de 348 o bispo de Alexandria decide que não haverá mais orações em favor dos suicidas. De forma geral, a cúpula da Igreja adota posições conflitantes a respeito do caso nesses primeiros tempos. Foi então que Santo Agostinho bateu o martelo. Em A Cidade de Deus (I, 47), ele anuncia a doutrina rigorista que definirá a doutrina da Igreja:
 
“Nós dizemos, declaramos e confirmamos de qualquer forma que ninguém tem o direito de espontaneamente se entregar à morte sob pretexto de escapar aos tormentos passageiros, sob pena de mergulhar nos tormentos eternos; ninguém tem o direito de se matar pelo pecado de outrem, isso seria cometer um pecado mais grave, porque a falta de um outro não seria aliviada; ninguém tem o direito de se matar por faltas passadas, porque são sobretudo os que pecaram que mais necessidade têm da vida para nela fazerem a sua penitência e curar-se; ninguém tem o direito de se matar na esperança de uma vida melhor imaginada depois da morte, porque os que se mostram culpados da sua própria morte não terão acesso a essa vida melhor”. (7) 
 
O suicida passa então a ser considerado um covarde (porque não suporta provações), um vaidoso (porque se importa em demasia com o que pensam dele), um pecador. Essa interdição é ao mesmo tempo fruto da influência platônica contra o donatismo (8). Segundo os platônicos, o suicídio é um atentado contra os direitos de Deus. Santo Agostinho aprofunda esse princípio à luz do “Tu não matarás”: a vida é um dom de Deus e somente ele poderá tirá-la. A posição dos donatistas é praticamente criminalizada. Mas, então, como fica a vida após a morte dos mártires da Igreja? Santo Agostinho sugeriu que alguns casos devem ter recebido um apelo particular de Deus. Entretanto, no caso de Jesus, sua morte foi mesmo voluntária. De fato, o quinto mandamento (tu não matarás) nunca foi absoluto: é permitido matar um condenado ou um inimigo de guerra; o suicida é um criminoso, mas a morte de milhões nos campos de batalha é um ato meritório.
 
Lá pelo final do século IV e começo do V d.C., o Império Romano está com problemas. Em crise econômica e demográfica, os direitos civil e canônico se unem para tentar resolver a questão. O sistema, totalitário, retira os direitos da pessoa sobre si mesma. O colono depende do senhor de terra. A falta de mão-de-obra e de soldados exige cada vida humana disponível. A legislação civil, normalmente indulgente em relação ao suicídio, endurece. São confiscados todos os bens dos suicidas, sendo o suicídio já relacionado a uma confissão de culpa (9). A Igreja, por seu lado, revaloriza o casamento, condena a abstinência sexual e todas as formas de contracepção. Uma lei do Império, datada de 374, proíbe o infanticídio, ao mesmo tempo em que luta contra o abandono de crianças. A partir de Constantino, os poderes civil e religioso colaboram entre si no combate ao suicídio e ao martírio em função mais de uma convergência de interesses do que por fé na vida.
 
Ao que tudo indica, o suicídio passa a ser considerado um crime contra Deus (mas também contra a natureza e a sociedade) por motivos bem mais mundanos: quando a pressão da situação econômico-política impõe-se à própria moral. A Igreja vinha aumentando consideravelmente sua posse de terras, portanto ela não desejava a emancipação dos colonos ou dos escravos – o que incluía a própria vida. Em 452, o Concílio de Arles proíbe que escravos e criados se suicidem. A idéia é que quando um criado se mata ele rouba seu senhor, já que este é dono dele – tal ato por parte de um escravo era considerado “revelador de um furor diabólico”. O martírio voluntário, única forma de suicídio vista de forma respeitável, cai em desuso com a conversão do Império Romano ao catolicismo. Se ainda havia hipóteses de permissão para o suicídio, a condenação do ato se torna definitiva a partir dos Concílios de Braga e de Auxerre, em 563 e 578. A partir daí, o suicídio é mais castigado do que um crime qualquer. 
 
Como? O criminoso paga uma multa, enquanto o suicida terá seus bens confiscados.
 
Lá pelos séculos VIII e IX, só aos doidos era desculpado o suicídio. Mesmo assim, sob uma condição, apenas se houvesse levado uma vida respeitável antes de ser dominado pelo diabo. O suicídio por desespero é o mais condenado, essa modalidade é repudiada pela Igreja por questionar completamente a ela e a Deus. Essa é a época em que a Igreja introduz a prática da confissão individual dos pecados, o que permite o controle absoluto da vida dos crentes. Proíbem-se as orações pelo suicida, assim como uma sepultura cristã. Seja por medo de uma condenação judicial ou mesmo por uma causa desconhecida, o suicídio está interditado. A partir do século X começa uma verdadeira caça aos suicidas, principalmente com o início das invasões muçulmanas na Europa. 
 
A partir do Baixo Império, os interesses de Deus estão cada vez mais parecidos com os dos senhores de terras e nobres, suicidar-se é insultar tanto a um quanto a outro. Na Idade Média, entre os séculos XI e XIV, os teólogos consolidam a proibição do suicídio. Se um dos Salmos diz, “o corpo é uma prisão”, isso não quer dizer que temos o direito de sair dela: 
 
“As autoridades civis e religiosas iniciam o mesmo combate contra o suicídio e completam-se as próprias medidas dissuasivas: confiscação dos bens e condenação eterna. Nos dois domínios, a proibição do suicídio acompanha o recuo da liberdade humana; o homem perde o direito de dispor da sua própria pessoa. Em proveito da Igreja, que dirige toda a sua existência e retira a sua força do número de fiéis, em proveito dos senhores e de alguns eclesiásticos, que necessitam conservar e aumentar a mão-de-obra num mundo subpovoado em que fomes e epidemias acabam regularmente por comprometer a valorização dos seus domínios”. (10)
 
Os poetas também dão sua contribuição, para desespero dos desesperados. Na Divina Comédia, Dante coloca os suicidas no inferno. Eles perdem a forma humana e se transformam em árvores de uma floresta sombria com folhas sem cor, fustigadas pelo vento e congelados. É curioso notar neste caso que, na Idade Média, a natureza na Europa ainda era exuberante. Portanto, em função de animais como lobos e ursos, o verde constituía um problema para as populações. Mato, naquela época, era sinônimo de lugar fora do mundo. Pelo menos, fora do mundo dos homens. Daí essa ideia de degredo para quem, não podendo morar na cidade, é relegado à floresta. 
 
Lá pela Idade Média temos também a introdução de outros elementos chave a partir do século XI: a confissão, a sentença e o perdão. A confissão é considerada remédio para o desespero (que é considerado um pecado e não um estado psíquico), somos então perdoados e levamos uma penitência para casa. Se depois disso insistimos no suicídio, aos olhos da Igreja somos loucos. Se o suicida se mostra sadio antes do ato, a punição é extrema, a não ser que ele se arrependa (ao padre) na hora da morte. Somente em 1284 temos os primeiros casos confirmados oficialmente de recusa de enterro cristão para suicidas – muitos foram recusados antes. Curiosa essa insistência na onipotência da Igreja, se ela nos perdoa ou nos condena é porque Deus o fez antes.
 
Além de ser negada uma sepultura ao morto, pelos vivos de Lille na França do século XIII, o cadáver será amarrado pelos pés e arrastado como um criminoso – e naturalmente seus bens serão confiscados, procedimento que se oficializa na França em 1205. Em Anjou e no Maine, vão arrastá-lo por aí e depois as pedras do caminho serão arrancadas. Se for mulher, será queimada. Tudo isso e mais algumas outras práticas patéticas e patológicas ligavam-se às crenças antigas de que o suicida poderia voltar e importunar os vivos. O que para as crenças anteriores ao cristianismo eram espíritos maus, para a Igreja passa a ser o demônio. Essa bizarra prática de “execução do cadáver” (11), ao mesmo tempo em que exorciza o corpo morto, tem um efeito dissuasivo, convencendo os outros a não fazer o mesmo. A família do suicida deve assistir publicamente todos os procedimentos em torno do cadáver.
 
Na Idade Média europeia não existia aquilo que apenas a partir do século XVIII surge com o nome de “suicídio filosófico” (12). Desgosto da vida, ou considerar que a vida não vale a pena, essas seriam atitudes atribuídas à loucura – o que era uma vantagem para as famílias, que não veriam confiscados os bens do morto. No início, essa loucura se chamava “melancolia”. Este termo também tem data de nascimento, um dos primeiros a empregá-lo o fez lá por 1265. A melancolia se manifesta pelo abatimento e pela tristeza, mas temos também o estado de frenesi ou fúria. Nesses casos, como o nome evidencia, temos atitudes violentas, às vezes fruto de delírios e alucinações. Certamente podemos concluir que, naquela época como ainda hoje, qualquer comportamento que evidencie alguma forma de depressão ou de indignação, pode ser rotulado de loucura – o que me parece muito conveniente, tanto para resolver de forma insatisfatória os problemas familiares, quanto para controlar os corações e mentes de seus seguidores, sejam cidadãos ou adeptos de uma religião qualquer.
 
No século XIV verifica-se na França a intenção de abrandar as punições em caso de suicídio. Ainda assim, mesmo que seja por desgosto da vida, o ato ainda é entendido como evidência de loucura – embora o conceito de loucura seja bastante amplo nessa época. Até entre os teólogos e moralistas a pressão diminui. Resgata-se a ideia do suicídio de Cristo e não se recusa uma sepultura ao corpo do suicida. A literatura enaltece os suicídios por amor e honra. No final das contas, apesar de o suicídio ser repudiado, a atitude medieval é mais branda do que manda a letra da Lei (13). 
 
***
 
Não se trata de apologia ao suicídio. A questão levantada aqui aponta noutra direção. Com a desculpa de defesa da vida, a Igreja (e um Estado não laicizado) nega autonomia aos indivíduos – que deveriam ser os donos do próprio destino. A Igreja Católica e suas vertentes protestantes, assim como qualquer outra confissão religiosa não têm o direito de neutralizar o livre arbítrio do ser humano. Sem essa capacidade básica das pessoas, as próprias religiões não contariam com adeptos, posto que (supostamente) foi o livre arbítrio de cada um (e não o medo) que os levou a comungar esta ou aquela fé. Por que não se discute a cobrança de dízimos? A fé de uma pessoa deveria ser julgada pelo crescimento espiritual e não pelo tamanho da contribuição financeira e/ou material – crescimento espiritual e dízimo não são sinônimos. A fé deveria preencher o coração e não o bolso. 
 
Leia também: 
 

Notas:

1. MINOIS, Georges. História do Suicídio. Tradução Serafim Ferreira. Lisboa: Teorema, s/d. P. 35. 
2. Idem, p. 36. 
3. Montanismo é um movimento cristão do segundo século fundado por Montano. Os montanistas declaravam-se possuídos pelo Espírito Santo e, por isso, profetizavam. Segundo estas profecias, uma outra era cristã se iniciava com a chegada da nova revelação concedida a eles. Esse movimento surgiu na Frígia (Ásia Menor Romana, hoje Turquia), pelos anos 170 d.C. Havia duas mulheres, Priscila e Maximila, que eram as porta-vozes proféticas de Montano e dizia que o Espírito Santo falava através delas. Fez muitas predições proféticas enganosas, pois jamais foram cumpridas, como a de que a aldeia de Pepuza, na Frígia, seria a Nova Jerusalém. Proibia certos alimentos, exigia jejuns prolongados e não permitia o casamento de viúvas, como também negava o perdão de pecados graves ao novo convertido, mesmo após o batismo (com confissão e arrependimento). Montano queria fundar uma nova ordem e reivindicar seu movimento como sendo um movimento especial na história da salvação. O principal motivo de Montano era lutar contra a paralisia e o intelectualismo estéril da maioria das igrejas organizadas na época. Infelizmente, ele também caiu em extremos enganosos. Esse movimento foi condenado várias vezes por vários sínodos de bispos, tanto na Ásia Menor como em outros lugares. A Igreja montanista se espalhou pela Ásia Menor, chegou a Roma e ao norte da África. Seu adepto mais famoso foi, sem dúvida, Tertuliano - o maior teólogo de então. (Fonte Wikipedia) 
4. MINOIS, Georges. Op. Cit. , p. 36. 
5. Idem, p. 46. 
6. Ibidem, p. 37. 
7. Ibidem, p. 39. 
8. O Donatismo foi uma doutrina religiosa cristã, considerada herética pelo catolicismo. Persistiu na África romanizada nos séculos IV e V. O seu nome advém de dois bispos com o mesmo nome: Donato de Casa Nigra, bispo da Numídia; e Donato, o Grande, bispo de Cartago. Os donatistas defendiam que os sacramentos só eram válidos se quem os ministrava era digno. Na religião católica, porém, crê-se que os sacramentos valem por si, seja o ministrante (geralmente um sacerdote) um indivíduo corrupto ou não. Os autores que mais influenciaram os donatistas, em termos de doutrina religiosa, foram São Cipriano, Montano e Tertuliano. O bispo de Hipona, Santo Agostinho, fez campanhas contra esta crença e foi principalmente graças aos seus esforços que a Igreja católica acabou por vencer a controvérsia. Com a ocupação vândala do norte de África, o donatismo voltou a ter, aí, alguma preponderância, o que continuou a acontecer depois da reconquista bizantina destes territórios por Justiniano. Desconhece-se quanto tempo persistiu depois da conquista muçulmana. (Fonte Wikipedia) 
9. MINOIS, Georges. Op. Cit. , p. 41. 
10. Idem, p. 44. 
11. Ibidem, p. 49. 
12. Ibidem, p. 52. 
13. Ibidem, p. 55. 
 

Postagens populares (última semana)

Quadro de Avisos

Salvo quando indicado em algum ponto da página ou do perfil, este blog jamais foi patrocinado por ninguém e não patrocina nada (cursos, palestras, etc.), e jamais "doou" artigos para sites de "ajuda" a estudantes - seja no passado, presente ou futuro. Cuidado, não sejam enganados por ladrões da identidade alheia.

e-mail (no perfil do blog).
....

COMO CITAR ESTE BLOG: clique no título do artigo, verifique o link no alto da tela e escreva depois do nome do autor e do título: DISPONÍVEL EM: http://digite o link da página em questão ACESSO EM: dia/mês/ano

Marcadores

Action Painting Androginia Anorexia Antigo Egito Antonioni Antropologia Antropologia Criminal Aristóteles Armas Arquitetura da Destruição Artaud Arte Arte Degenerada Arte do Corpo Auto-Retrato Balthus Bat Girl Batman Baudrillard Bauhaus Beckmann Beleza Biblioclasta Body Art Brecht Bulimia Bullying Burguesia Butô Buñuel Cabelo Carl Jung Carnaval de Veneza Carolee Schneemann Castração Censura Cesare Lombroso Chaplin Charles Darwin Charles Le Brun Chicago Cicciolina Cindy Sherman Cinema Ciência Ciência do Concreto Claude Lévi-Strauss Claus Oldenburg Clifford Geertz Clitoridectomia Close up Comunismo Corpo Criança Cristianismo Cubismo Cultura Cézanne Código Hays Da Vinci Dadaísmo David Le Breton Descartes Desinformação Deus Diabo Distopia Déspota Oriental Erotismo Eugenia Europa Evgen Bavcar Expressionismo Fahrenheit 451 Falocentrismo Família Fascismo Fellini Feminilidade Feminismo Ficção Científica Filme de Horror Fisiognomonia Fluxus Fotografia Francis Bacon Francisco Goya Frankenstein Franz Boas Freud Frida Kahlo Fritz Lang Frobenius Futurismo Games Gaudí Gauguin George Lucas George Maciunas Giacometti Giambattista Della Porta Gilles Deleuze Giuseppe Arcimboldo Goebbels Griffith Grécia Guerra nas Estrelas H.G. Wells HR Giger Herói Hieronymus Bosch História Hitchcock Hitler Hollywood Holocausto Homossexual Idade Média Igreja Imagem Império Romano Infibulação Informação Inquisição Ioruba Islamismo Jackson Pollock Jan Saudek Janine Antoni Johan Kaspar Lavater Judeu Judeu Süss Kadiwéu Konrad Lorenz Koons Ku Klux Klan Kurosawa Le Goff Leni Riefenstahl Livro Loucura Loura Lutero Madonna Magritte Manifesto Antropofágico Maquiagem Marilyn Monroe Marketing Masculinidade Masumura Maternidade Matisse Max Ernst Merleau-Ponty Michel Foucault Militares Minorias Misoginia Mitologia Mizoguchi Morte Mulher Mulher Gato Mulher Maravilha Mussolini Muçulmanos Máscaras Mídia Nascimento de Uma Nação Nazismo Nova Objetividade Nudez O Judeu Eterno O Planeta Proibido O Retrato de Dorian Gray O Show de Truman Olho Orientalismo Orson Welles Orwell Oshima Ozu Palestinos Panóptico Papeis Sexuais Papua Paul Virílio Perdidos no Espaço Performance Picasso Piercing Pin-Ups Platão Pornografia Primitivismo Privacidade Propaganda Prosopagnosia Protestantismo Psicanálise Publicidade Purgatório Puritanismo Pênis Racismo Razão Religião Retrato Richard Wagner Rita Haywood Robert Mapplethorpe Rosto Sadomasoquismo Salvador Dali Sartre Seio Semiótica Sexo Sexualidade Shigeko Kubota Silicone Simone de Beauvoir Sociedade Sociedade Disciplinar Sociedade de Controle Sociedades Primitivas Sprinkle Stanley Kubrick Suicídio Super-Herói Super-Homem Surrealismo Tatuagem Televisão Terrorismo Umberto Eco Vagina Viagem a Tóquio Violência Walt Disney Woody Allen Xenofobia Yoko Ono Yves Klein botox imprensa kamikaze plástica van Gogh Índio

Minha lista de blogs

Visitantes

Flag Counter
Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil License.