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Roberto Acioli de Oliveira

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25 de mai. de 2010

Entre o Terrorismo e o Martírio




“É mais que uma
religi
ão, é uma filosofia
de vida
. Uma filosofia de
vida não-individualista
,
diferente da do Ocidente
.
É uma ação individual

que tem um claro
objetivo coletivo”


Nissar Messari (1)




Desin
formação Já

Há quem diga que a prática de atentados suicidas começou na década de 80 do século passado quando o aiatolá Khomeini, então em guerra com o Iraque, baixou uma lei nesse sentido. A prática chegou então ao Líbano através do Hisbolá, que em 1983 explodiu a embaixada norte-americana em Beirute. Então a técnica teria passado para o Hamas, que passou a mandar gente se explodir em Israel (2). Alguns citam os Kamikazes japoneses durante a Segunda Guerra Mundial algumas décadas antes. Até aqui, parece que a auto-imolação é coisa de oriental – o velho clichê do Déspota Oriental. Mas o batido clichê que desvaloriza o mundo oriental cai quando outros citam Sansão. O personagem bíblico destruiu um templo Filisteu com as próprias mãos, morrendo no ato (3). (todas as imagens deste artigo mostram o ataque terrorista ao World Trade Center, com excessão das duas últimas; a penúltima mostra a explosão atômica em Hiroshima; a seguinte mostra uma das sobreviventes)

(...) [Os Estados Unidos]
são o único país que já
foi condenado pela Corte
Mundial
por terrorismo
internacional
(...)

Noam Chomsky (4)

É curioso que não se comente sobre o terrorismo praticado por Menahem Begin, ex-Primeiro-Ministro de Israel (de 1977 a 1983), durante os primeiros anos do pós-guerra, quando a Palestina ainda era um protetorado Britânico. Em 1947, ele foi responsável pelo atentado à bomba no hotel King David, em Jerusalém, então sede administrativa dos ingleses: 91 mortos. Muito embora o exemplo de Begin não envolta o suicídio do atacante, como no caso dos terroristas que se atiraram no World Trade Center em 2001, é inegável que envolveu a morte de pessoas inocentes que porventura estivessem naquele local na hora do ataque. O terrorismo de Estado praticado pelos Estados Unidos e por muitas das potências ocidentais em suas ex-colônias também não costumam ser lembradas. Até hoje, apenas um país usou a bomba atômica, os Estados Unidos. Além disso, não se dá a devida atenção e publicidade ao fato de que em Hiroshima e Nagasaki, as cidades japonesas bombardeadas, o alvo era, não há como negar, a população civil – não há documentário sobre a Segunda Guerra que diga que essas cidades eram alvos militares incontornáveis. Mudando um pouco de cenário, durante o governo do ex-Presidente Ronald Reagan, os Estados Unidos apoiou atos terroristas de Estado da então ainda racista África do Sul em que um milhão e meio de mortos e 60 bilhões em prejuízos materiais foram contabilizados (5).

A Posse do Próprio Corpo, Pelo Menos...



É no Ocidente que
a indústria
de armas
dá mais dinheiro
, mas
os terr
oristas suicidas
é que são loucos
...




O Xeque Ali Abdouni esclareceu que o suicídio é proibido pelo Alcorão, há não ser que alguém o pratique com o intuito de defender a liberdade e a justiça – sempre como último recurso, depois que todas as possibilidades de resolver os problemas se esgotaram. Abdouni percebe também que, no fundo, o que muda são as formas de luta – pois as guerras sempre existiram. Nestes termos, no Islamismo, o suicídio se transforma em martírio. O paraíso só é alcançado por aqueles com intenções puras e busca de justiça para os inocentes e oprimidos. Apenas Deus sabe se uma criatura é mártir ou não, explica Abdouni, pois somente Ele conhece o que se passa no íntimo de cada um de nós (6).



“Há vários
bin Ladens

de ambos os
lados
, como
sempre”

Noam
Chomsky (7)



Os mártires, ou Shahids, explicou Nissar Messari, não são pessoas desiludidas e desesperadas que buscam a morte. Os Shahids, ao contrário, devem ter amor à vida. Ao morrerem, eles passam a uma dimensão divina. Além das 72 virgens, elemento tão enfatizado pelos detratores, os mártires conquistam o direito de ver o rosto de Alá (o rosto de Deus). A família do mártir ganha status social e recebem dinheiro de organizações como o Hamas e o Jihad – que também possui escolas, creches, universidades e jornais. Os Shahids geralmente são jovens entre 18 e 27 anos, estudantes dedicados ao fundamentalismo islâmico. Eles não são voluntários, são escolhidos pelo mentor religioso da escola ou mesquita que freqüentam (8). Osama Bin Laden foi produzido pelos Estados Unidos para se por à invasão do Afeganistão pela ex-União soviética na década de 90 do século passado. Entretanto, quando o feitiço se vira contra o feiticeiro... Nas palavras de Noam Chomsky:

“O ódio é a maneira
de se expressar dos islâmicos
ra
dicais mobilizados pela CIA (...).
Os EUA se dispuseram a apoiar
,
com satisfação
, o ódio e a violência deles quando era dirigida contra
os inimigos dos EUA
; e ficaram contrariados quando o ódio que ajudaram a gerar foi dirigido contra eles próprios e seus aliados, como
tem acontecido
, repetidamente,
há vinte an
os (...) (9)

O Rabino Henry Sobel disse que o judaísmo proíbe o suicídio. Entretanto, explicou que é permitida a violação de qualquer lei judaica para salvar uma vida, incluindo a própria – a morte deve ser o último recurso. Sobel lembrou que o suicídio em massa ocorrido no ano 73 na fortaleza de Massada, sitiada pelos romanos, fez do local o mais conhecido símbolo do martírio judaico. Durante as Cruzadas, na Idade Média, também houve judeus que preferiram o suicídio a ter que se converter (10). Embora o primeiro preceito budista seja “não matar”, durante a Guerra do Vietnã alguns monges atearam fogo ao próprio corpo em sinal de protesto. A Monja Coen explicou que Isso não foi considerado uma quebra do preceito, mas uma oferta a Buda – o maior presente que se pode dar a Buda. Mas Coen esclareceu que não se deve fazer uma leitura literal dos textos sagrados. De acordo com Coen, os Kamikazes japoneses que durante a Segunda Guerra se atiravam sobre o inimigo, teriam feito uma leitura equivocada tanto do budismo quanto do xintoísmo (11).

Como sugeriu Fassbinder
certa vez
, o terrorismo foi
inventado pelo capitalismo
para justificar o aumento

da segurança dele mesmo



No fundo, toda essa discussão tem apenas uma origem: o terrorismo muçulmano. Porém, num contexto diferente daquele que o clichê impõe, poderíamos nos perguntar como o fez o cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder, a quem realmente serve os homens-bomba? Se Fassbinder estava certo, então eles não passam de inocentes úteis que ajudam a aumentar o poder dos Estados policiais e os lucros da indústria armamentista que anda de braços dados com eles – da mesma forma que à indústria de armas e equipamentos de segurança interessa a manutenção dos índices de criminalidade e a continuação do conflito entre traficantes e policiais nos morros cariocas.

“Extremistas radicais islâmicos,
freqüentemente chamados ‘fundamentalistas’
,
eram os preferidos dos EUA
, nos anos 1980, por
se tratar dos melhores assassinos que se
poderiam encontrar à disposição


Noam
Chomsky (12)

Notas:

Leia também:

Isto é Hollywood!
Suicídio é Pecado Mesmo?
O Diferente (do Oriente) Como Bode Expiatório

1. ITUASSU, Arthur. O Martírio como Arma. Terrorismo Suicida se Firma Como Estratégia Palestina Indomável para Israel. Jornal do Brasil, sábado, 18/07/2001.
2. Idem.
3. Homem-Bomba. Santo ou Demônio?. Revista Carta Capital, ano IX, nº. 235, 09/04/2003. P. 38.
4. CHOMSKY, Noam. 11 de Setembro. Tradução Luiz Antonio Aguiar. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. Pp. 27, 78 e 97.
5. Idem, p. 78.
6. Ver nota 3, pp. 39-40.
7. CHOMSKY, Noam. Op. Cit., p. 37.
8. ITUASSU, Arthur. Op. Cit.
9. CHOMSKY, Noam. Op. Cit., pp. 92-3.
10. Ver nota 3, p. 41.
11. Idem, pp. 42-3.
12. CHOMSKY, Noam. Op. Cit., p. 24.

12 de mai. de 2009

Abismo Labiríntico


“Oh face estranha aí
no espelho! Companheiro
libertino,
sagrado anfitrião,
oh meu bufão varrido pela dor, 
que responder? Oh vós miríade 
que labutais, brincais, passais,
zombais,   desafiais,   vos
contrapondo!  Eu?
Eu? Eu? E vós?”

Sobre sua própria face num espelho

Ezra Pound



Embora nossa racionalidade negue, somos seres do abismo. Ao percebermos o abismo, nosso lado racional nos faz perder o controle e o tomamos por um delírio, desequilíbrio, desastre, doença. Não é que não seja exatamente assim. O ponto é percebermos que a questão é aprender a entrar e sair de si mesmo, entrar e sair do abismo. Exatamente para percebê-lo como tal e reconhecer o fato de que só sabemos dele quando saímos. Porém, fora dele, sempre o reencontramos – como se nunca o deixássemos.

Saímos dele a cada descoberta, a cada ultrapassagem de barreiras que impomos a nós mesmos e que não percebíamos como nossos verdadeiros algozes. Mas nunca terminamos de sair. Nunca terminamos de nos descobrir em nossos limites e na potência de superá-los.

Hora de sofrimento. Como um renascimento doloroso a cada instante que não reencontramos a saída. Na falta de um mapa, nos guiamos pelos ruídos que roçam nossas lembranças, nossas esperanças, nossos delírios. Ruídos do ser. Ruídos do ser do abismo. Delírios de esperanças, de lembranças, de poder e dominação, de amor e ódio. Ambições.

A posse de si mesmo, de sua alma (1). Ambição de quem pensa que os fantasmas dos quais tenta resgatar a si não são ele mesmo – ou parte dele mesmo, o que seria outra coisa, como uma roupa que se veste e tira, mas sem a qual não nos sentimos confortáveis. Como uma máscara, que se veste e tira, mas sem a qual... Às vezes para sentirmos dó de nossos fantasmas e solidão quando pensamos em abandoná-los. Como se sem nossos fantasmas não houvesse ninguém em casa. Ou, talvez pior, é como perceber que ninguém veio nos ver. (imagem acima, cena de O Carteiro e o Poeta, Il Postimo, 1994, direção de Michael Radford)

Purgados sempre novamente, os fantasmas não param de voltar – pois nunca saíram. Como as bordas do próximo abismo, que sucedem uma à outra. Presença na ausência, nossos próprios fantasmas se misturam àquelas pessoas que odiamos, que amamos, que não sabemos que amamos – sem esquecer os amores impossíveis. (imagem abaixo, autor Luis Fernando Veríssimo, JB, Revista de Domingo, 20/08/89)

Talvez não seja uma questão de encontrar a última saída do abismo – ou o último fantasma. Somos seres da andança. Nômades, apenas vamos. Navegantes sem mapa e sem sextante. A direção, devemos arrancar de nós mesmos, de nossas experiências em nossos abismos, nossas perdições, nossas perguntas sem resposta.

“Temos a arte
para que a verdade
não nos destrua”


Friedrich Nietzsche



Se for a respeito disso ou daquilo que ainda não nos testamos, então é isto que há a fazer. Não fugir da dor, por mais que doa! A recompensa? A posse de si na superação do medo do desconhecido, reconhecendo em nós mesmos o mais desconhecido – portanto o mais imprevisível, mas também e por isso mesmo a maior novidade. (imagem abaixo, um homem, abordado pela Morte, propõe uma partida de xadrez com o objetivo de ganhar tempo nesse mundo; mas ele tem um problema, está perdendo a fé. Cena de O Sétimo Selo, Det Sjunde Inseglet, 1956, direção de Ingmar Bergman)

Ruído mais ensurdecedor do ser, a imprevisibilidade quanto à quando saberemos mais de nós mesmos atordoa nossos sentidos – é a navegação sem rumo certo. O medo da dor nos afasta da imprevisibilidade, confundimos segurança e fim da busca. Sentidos atordoados em nossa sensibilidade e falta de sentido em nossa razão. Haverá sentido a buscar ?

Mas só a aceitação da imprevisibilidade (o imponderável, a novidade) nos leva às respostas. A segurança vem quando se percebe que respostas têm como função nos levar a novas perguntas. Como a saída do abismo não nos leva para fora dele, senão para outras de suas bifurcações. Como um labirinto sem fim. Busca sem fim, mostrará o melhor e o pior em nós. No final, não importa quantas mãos nos foram estendidas pelo caminho, será sempre apenas por nossas próprias que agiremos em direção a nós mesmos!

Uma arte do fazer-se. Como fazer um auto-retrato. Pelas próprias mãos modelar-se e remodelar-se. Um quadro sempre em tinta fresca, um desenho sempre a completar, uma escultura com o barro sempre molhado. Que não se enganem, esculturas em pedra ou ferro de nós mesmos não seriam como auto-retratos mais sólidos, muito pelo contrário. Nossa fluidez não está na tinta fresca ou no ferro duro, mas na força que os materiais têm para intensificar a sensação de si para nós mesmos.

É como jogar consigo mesmo. Ou, reaprender a jogar, reencontrar o caminho das sensações perdidas. Reencontrar o sentido das ações ou, o sentido que há (ou não) em fazer sentido. Uma tensão consigo mesmo e uma atenção aos sinais espalhados e disfarçados no labirinto. Jogar um jogo de dados, onde a certeza não existe. Mas é só quando a certeza não existe que podemos (se não temos medo da incerteza, da novidade) apostar no acaso. Apenas correndo o risco do acaso encontramos por nós mesmos aquilo que nos é próprio. “Lá onde nasce o perigo, cresce também o que salva” (Hölderlin). Ou, como diz Fernando Pessoa...

“O meu olhar é nítido como um girassol. Tenho o costume de andar pelas estradas olhando para a direita e para a esquerda, e de vez em quando olhando para trás... e o que vejo a cada momento é aquilo que nunca antes eu tinha visto, e eu sei dar por isso muito bem... sei ter o pasmo essencial que tem uma criança se, ao nascer, reparasse que nascera deveras... sinto-me nascido a cada momento para
a eterna novidade do Mundo..."

Notas:

1. Na cena final do filme Platoon. “Agora, olhando para trás, eu acho que não lutamos contra nossos inimigos, lutamos contra nós mesmos. O inimigo estava em nós. Para mim a guerra acabou agora, mas sempre estará presente pelo resto da minha vida. Assim como Elias também estará lutando contra Barnes, como Rá falou, pela posse de minha alma. Desde então eu me sinto como uma criança que nasceu desses dois pais. Mas, seja como for, nós que sobrevivemos temos a obrigação de recomeçar. Ensinar aos outros o que aprendemos e... e tentar, com o que restou de nossas vidas, encontrar a bondade e o sentido desta vida”. 

15 de jan. de 2009

Bullying


O Hábito de Zombar e a Patologia Social

Atitudes de chacota, piadinhas e agressões entre pessoas, sejam crianças ou adultos: quando alguém, ou um grupo, ataca moralmente outra pessoa ou grupo com freqüência. Acredito que tal comportamento poderia ser resumido pela frase: desprezar o semelhante é preciso, pensar/sentir não é preciso!

O hábito de zombar dos outros, seja por que motivo for, está se alastrando pela sociedade. Quando se fala de bullying, geralmente se comenta sobre crianças e adolescentes em sala de aula que adotam uma posição arrogante em relação a outras – porque alguém é alto demais, ou baixo demais, ou gordo, ou magro, ou estudioso, ou porque não estuda, ou pela religião, ou racial, ou financeiro etc, etc, etc. Enfim, porque é diferente, e atacar o diferente é preciso! Mas quando isso chega ao comportamento de pessoas adultas a coisa muda de figura. Justamente daqueles que se espera que tenham superado sua fase adolescente, é de onde cada vez mais afloram condutas absolutamente infantis (intolerantes) em relação à vida alheia e à diferença.

Parece que algumas pessoas sentem prazer em fazer tortura psicológica em outras pessoas. Uma tortura que “parece” uma brincadeira. “Estamos apenas zoando fulano”, diriam os praticantes desta distorção de comportamento. Entretanto, entre a gozação e o bullying existe certa distância. Isso não é gozação, é pura intolerância. É como se utilizássemos a pata de um elefante para esmagar uma formiga. É uma atitude desproporcional, essa seria a diferença entre a gozação e o bullying. É a banalização da violência. Será que ela pode ser um dos efeitos colaterais da banalização da vida nos tempos atuais?

A Mé(r)dia da Mídia e o Bullying


Mas qual poderia ser a relação da mídia com tudo isso? Na verdade, aqui e ali (sem citar nomes), podemos assistir a uma série de programas e reportagens jornalísticas na televisão aberta que (talvez) constituam bullying ou o estímulo a ele. Se nos lembrarmos daquilo que se chama de “vídeo cacetadas”, o que temos é a suposição de que vamos rir ao assistir pessoas, e até crianças e idosos, tropeçando e levando tombos que poderiam levar a pernas e braços, ou talvez uma coluna vertebral, quebrados. Portanto, a idéia parece ser “sentir prazer com a desgraça do outro”. A mídia acaba incentivando o bullying ao sugerir que isso é “engraçado”: se alguém levar um tombo na sua frente, a primeira atitude não é correr para ajudar, mas rir ou ficar indiferente. O bullying parece se caracterizar pelo desprezo ao semelhante: quando consideramos alguém como um objeto e não como um ser humano, tratá-lo como coisa fica mais fácil.

Não está longe dessa lógica a notícia de jornal que expõe ao ridículo todos aqueles assaltantes (via de regra pobres) que são apanhados (porque os ricos não são expostos ao ridículo). Eles são mostrados e são feitas perguntas a eles pelos jornalistas como se a tela da televisão fosse uma espécie de “tribunal-vitrine”. A primeira pergunta que se pode fazer é: por que humilhar um bandido na televisão? A resposta é simples: porque dá audiência. O que, exatamente, dá audiência? Assistir alguém ser espezinhado publicamente sem poder reagir. É como se a audiência dependesse do grau de covardia da situação.

A mídia acaba incentivando o bullying ao sugerir que isso é “engraçado” ou é a coisa certa a fazer: quando um grupo de pessoas na rua consegue pegar um ladrão, batem nele e xingam, ao invés de simplesmente entregá-lo a polícia. E naturalmente irão espezinhar alguém que tente defender o direito dos próprios linchadores de receber um pronto atendimento da polícia ao sugerir que fazer justiça com as próprias mãos é não ver que o poder público é totalmente omisso em relação à segurança pública. Desta forma, a horda de linchadores fará inclusive o trabalho sujo da segurança pública ao espezinhar também quem deseja apenas abrir seus olhos.

Uma malhação do Judas que dá audiência, esse tipo de abordagem acaba incentivando (porque funciona como modelo) um comportamento hostil entre as pessoas. Uma chacota que funciona como linchamento moral, podendo levar a reações fatais. Quem sabe, muitos dos homicídios e chacinas sem causa aparente ou classificadas como motivo fútil tenham como origem esse tipo de comportamento, levando a vítima (que acaba transformada em algoz), psicologicamente despreparada, a reagir na única linguagem que conhecem aquelas pessoas que não sabem dialogar – ou que só dialogam para fazer fofoca sobre a vida alheia: por causa de uma chacota fruto de uma fofoca, destroem-se vidas.

A mídia patrocina uma patologia social em nome do lucro fácil. Noticiar a violência não pode se igualar a ela, da mesma forma como a polícia não pode agir com a irresponsabilidade social dos bandidos. Caso contrário, não se saberá mais quem é quem! É como uma pedagogia do ódio. E o que é pior, um ódio mútuo travestido de “brincadeira” e fofoca. Tudo isso, com o consentimento das emissoras de rádio e televisão que veiculam esse tipo de programação. Apesar de todas serem concessões públicas, insistem em pensar apenas no próprio lucro. E o poder público, que deveria disciplinar a situação, mais uma vez é o primeiro a se omitir.

É curiosa a desproporção entre a atenção absurda que a mídia comercial dá a dramas sociais do tipo em que se fazem reféns e a nenhuma cobertura que se dá a casos de suicídio. Por que se noticiam os primeiros à exaustão enquanto nunca vemos nada sobre o segundo? Será que as pessoas não se suicidam? Não devemos mostrar aquilo que acontece na sociedade?

De fato, esta é a questão, existem “formas e formas” de dizer alguma coisa ou de mostrar um fato. Não pretendo “ensinar o padre a rezar missa”, suponho que os profissionais da mídia têm capacidade de perceber os desdobramentos de seus atos e modificá-los caso desejem. Algum deles irá desejar perder audiência só para avisar aos telespectadores que se as coisas continuarem assim todos nós vamos nos transformar em monstros?

1 de fev. de 2008

Suicídio é Pecado Mesmo?

A partir do século VI d.C. a Igreja Católica passou a considerar o suicídio um pecado. Por que não foi assim desde o princípio? O que levou a esta decisão? A crença na vida após a morte? Na verdade, a crença na vida após a morte é que levava aos suicídios. Para além da vida depois da vida, a Igreja teria tido outros motivos mais terrenos. Suicidas, os primeiros cristãos, trucidados das mais variadas formas, ofereciam-se de bom grado para morrer nas arenas romanas em nome de sua fé. Nessa vida após a morte podemos ir para o paraíso ou para o inferno; dar a vida por sua fé garantiria o paraíso, além de encurtar o tempo de espera. Seja como for, a então nascente Igreja Cristã perdia muitos adeptos. Foi então que ela proibiu ao crente dirigir-se ao atalho do suicídio, testando sua fé durante uma vida toda de martírios e dúvidas. Portanto, a Igreja decretou que o suicida vai para o inferno. Ficando vivos, poderíamos nos testar de outras formas. Mas que formas são essas?
 
***
 
O Novo Testamento, através do qual os cristãos irão diferenciar-se do mundo judaico, não aborda este assunto (1). Quando Cristo diz a João, “minha vida ninguém tira de mim, sou EU que a dou por mim mesmo” e “Dou a minha vida pelas minhas ovelhas” (Evangelho de São João, 10, 15-18), não estaria fazendo uma clara opção pela morte voluntária? Tais afirmativas saídas supostamente da própria boca de Cristo criaram problemas para os teólogos medievais.
 
No contexto de um homem-Deus e da redenção, o suicídio de Jesus ultrapassaria o suicídio “vulgar”. Mas como deve agir o seguidor, o cristão? Ele, que deve imitar seu mestre, é convidado a fazer o sacrifício: “Quem quiser a sua vida, perdê-la-á, mas quem perder a sua vida por Minha causa, encontrá-la-á“ (Evangelho de São Mateus, 16, 25); “Se alguém vem ter Comigo e não me prefere ao seu pai, mãe, esposa, filhos, irmãos, irmãs, e até à própria vida, não pode ser Meu discípulo” (Evangelho de São Lucas, 14, 26); “Quem ama a sua vida perdê-la-á e quem neste mundo a rejeita conservá-la-á para a vida eterna” (Evangelho de São João, 12, 25); “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Evangelho de São João, 15, 13). Em muitas passagens do Novo Testamento Paulo, Tiago, Pedro, Lucas e João abominam (e convidam a abominar) a vida terrena. Ela é desprezível, um exílio que deveria ser o mais breve possível. “Mas, a meus olhos a vida não tem qualquer valor” (Atos dos Apóstolos, 20, 24), assim João ecoa vários textos do Antigo Testamento. (2) 
 
“As primeiras gerações cristãs entendem isso muito bem durante o período das perseguições e entregam-se voluntariamente ao martírio. ‘Eles desprezaram as suas vidas até ao ponto de aceitarem a sua morte’ [Apocalipse, 12, 11], dizia São João nos finais do século I e coloca no céu ‘aqueles que foram decapitados por terem dado testemunho de Jesus e terem acreditado na Palavra de Deus’ [idem, 20, 4]. No século II, São Justino, na sua Apologia, exalta os cristãos a correrem para a morte e no começo do século II Tertuliano e os montanistas (3) abundam em exemplos de cristãos que se entregam por si mesmos ou que, como resposta às autoridades, escolhem deliberadamente a morte”. (4)
 
Nos primórdios da Igreja Cristã, esta tendência se coloca claramente. Mas existe uma diferenciação entre a morte do desespero e a do mártir. O desesperado é um pecador, porque ele permitiu que o diabo o convencesse a condenar a si mesmo e também duvidar da misericórdia divina (5). Muita habilidade teológica fora empregada para proclamar a interdição do suicídio, o caso do suicídio de Judas talvez se enquadre nesse contexto como uma pedagogia que o crente deverá assimilar. O ato fundador do cristianismo é um suicídio, e seus discípulos exaltavam o sacrifício voluntário(6). Durante os três primeiros séculos, a Igreja se interroga sobre o exemplo de Cristo. Falsa visão do martírio? Para se opor ao donatismo, que exaltava o ato, no ano de 348 o bispo de Alexandria decide que não haverá mais orações em favor dos suicidas. De forma geral, a cúpula da Igreja adota posições conflitantes a respeito do caso nesses primeiros tempos. Foi então que Santo Agostinho bateu o martelo. Em A Cidade de Deus (I, 47), ele anuncia a doutrina rigorista que definirá a doutrina da Igreja:
 
“Nós dizemos, declaramos e confirmamos de qualquer forma que ninguém tem o direito de espontaneamente se entregar à morte sob pretexto de escapar aos tormentos passageiros, sob pena de mergulhar nos tormentos eternos; ninguém tem o direito de se matar pelo pecado de outrem, isso seria cometer um pecado mais grave, porque a falta de um outro não seria aliviada; ninguém tem o direito de se matar por faltas passadas, porque são sobretudo os que pecaram que mais necessidade têm da vida para nela fazerem a sua penitência e curar-se; ninguém tem o direito de se matar na esperança de uma vida melhor imaginada depois da morte, porque os que se mostram culpados da sua própria morte não terão acesso a essa vida melhor”. (7) 
 
O suicida passa então a ser considerado um covarde (porque não suporta provações), um vaidoso (porque se importa em demasia com o que pensam dele), um pecador. Essa interdição é ao mesmo tempo fruto da influência platônica contra o donatismo (8). Segundo os platônicos, o suicídio é um atentado contra os direitos de Deus. Santo Agostinho aprofunda esse princípio à luz do “Tu não matarás”: a vida é um dom de Deus e somente ele poderá tirá-la. A posição dos donatistas é praticamente criminalizada. Mas, então, como fica a vida após a morte dos mártires da Igreja? Santo Agostinho sugeriu que alguns casos devem ter recebido um apelo particular de Deus. Entretanto, no caso de Jesus, sua morte foi mesmo voluntária. De fato, o quinto mandamento (tu não matarás) nunca foi absoluto: é permitido matar um condenado ou um inimigo de guerra; o suicida é um criminoso, mas a morte de milhões nos campos de batalha é um ato meritório.
 
Lá pelo final do século IV e começo do V d.C., o Império Romano está com problemas. Em crise econômica e demográfica, os direitos civil e canônico se unem para tentar resolver a questão. O sistema, totalitário, retira os direitos da pessoa sobre si mesma. O colono depende do senhor de terra. A falta de mão-de-obra e de soldados exige cada vida humana disponível. A legislação civil, normalmente indulgente em relação ao suicídio, endurece. São confiscados todos os bens dos suicidas, sendo o suicídio já relacionado a uma confissão de culpa (9). A Igreja, por seu lado, revaloriza o casamento, condena a abstinência sexual e todas as formas de contracepção. Uma lei do Império, datada de 374, proíbe o infanticídio, ao mesmo tempo em que luta contra o abandono de crianças. A partir de Constantino, os poderes civil e religioso colaboram entre si no combate ao suicídio e ao martírio em função mais de uma convergência de interesses do que por fé na vida.
 
Ao que tudo indica, o suicídio passa a ser considerado um crime contra Deus (mas também contra a natureza e a sociedade) por motivos bem mais mundanos: quando a pressão da situação econômico-política impõe-se à própria moral. A Igreja vinha aumentando consideravelmente sua posse de terras, portanto ela não desejava a emancipação dos colonos ou dos escravos – o que incluía a própria vida. Em 452, o Concílio de Arles proíbe que escravos e criados se suicidem. A idéia é que quando um criado se mata ele rouba seu senhor, já que este é dono dele – tal ato por parte de um escravo era considerado “revelador de um furor diabólico”. O martírio voluntário, única forma de suicídio vista de forma respeitável, cai em desuso com a conversão do Império Romano ao catolicismo. Se ainda havia hipóteses de permissão para o suicídio, a condenação do ato se torna definitiva a partir dos Concílios de Braga e de Auxerre, em 563 e 578. A partir daí, o suicídio é mais castigado do que um crime qualquer. 
 
Como? O criminoso paga uma multa, enquanto o suicida terá seus bens confiscados.
 
Lá pelos séculos VIII e IX, só aos doidos era desculpado o suicídio. Mesmo assim, sob uma condição, apenas se houvesse levado uma vida respeitável antes de ser dominado pelo diabo. O suicídio por desespero é o mais condenado, essa modalidade é repudiada pela Igreja por questionar completamente a ela e a Deus. Essa é a época em que a Igreja introduz a prática da confissão individual dos pecados, o que permite o controle absoluto da vida dos crentes. Proíbem-se as orações pelo suicida, assim como uma sepultura cristã. Seja por medo de uma condenação judicial ou mesmo por uma causa desconhecida, o suicídio está interditado. A partir do século X começa uma verdadeira caça aos suicidas, principalmente com o início das invasões muçulmanas na Europa. 
 
A partir do Baixo Império, os interesses de Deus estão cada vez mais parecidos com os dos senhores de terras e nobres, suicidar-se é insultar tanto a um quanto a outro. Na Idade Média, entre os séculos XI e XIV, os teólogos consolidam a proibição do suicídio. Se um dos Salmos diz, “o corpo é uma prisão”, isso não quer dizer que temos o direito de sair dela: 
 
“As autoridades civis e religiosas iniciam o mesmo combate contra o suicídio e completam-se as próprias medidas dissuasivas: confiscação dos bens e condenação eterna. Nos dois domínios, a proibição do suicídio acompanha o recuo da liberdade humana; o homem perde o direito de dispor da sua própria pessoa. Em proveito da Igreja, que dirige toda a sua existência e retira a sua força do número de fiéis, em proveito dos senhores e de alguns eclesiásticos, que necessitam conservar e aumentar a mão-de-obra num mundo subpovoado em que fomes e epidemias acabam regularmente por comprometer a valorização dos seus domínios”. (10)
 
Os poetas também dão sua contribuição, para desespero dos desesperados. Na Divina Comédia, Dante coloca os suicidas no inferno. Eles perdem a forma humana e se transformam em árvores de uma floresta sombria com folhas sem cor, fustigadas pelo vento e congelados. É curioso notar neste caso que, na Idade Média, a natureza na Europa ainda era exuberante. Portanto, em função de animais como lobos e ursos, o verde constituía um problema para as populações. Mato, naquela época, era sinônimo de lugar fora do mundo. Pelo menos, fora do mundo dos homens. Daí essa ideia de degredo para quem, não podendo morar na cidade, é relegado à floresta. 
 
Lá pela Idade Média temos também a introdução de outros elementos chave a partir do século XI: a confissão, a sentença e o perdão. A confissão é considerada remédio para o desespero (que é considerado um pecado e não um estado psíquico), somos então perdoados e levamos uma penitência para casa. Se depois disso insistimos no suicídio, aos olhos da Igreja somos loucos. Se o suicida se mostra sadio antes do ato, a punição é extrema, a não ser que ele se arrependa (ao padre) na hora da morte. Somente em 1284 temos os primeiros casos confirmados oficialmente de recusa de enterro cristão para suicidas – muitos foram recusados antes. Curiosa essa insistência na onipotência da Igreja, se ela nos perdoa ou nos condena é porque Deus o fez antes.
 
Além de ser negada uma sepultura ao morto, pelos vivos de Lille na França do século XIII, o cadáver será amarrado pelos pés e arrastado como um criminoso – e naturalmente seus bens serão confiscados, procedimento que se oficializa na França em 1205. Em Anjou e no Maine, vão arrastá-lo por aí e depois as pedras do caminho serão arrancadas. Se for mulher, será queimada. Tudo isso e mais algumas outras práticas patéticas e patológicas ligavam-se às crenças antigas de que o suicida poderia voltar e importunar os vivos. O que para as crenças anteriores ao cristianismo eram espíritos maus, para a Igreja passa a ser o demônio. Essa bizarra prática de “execução do cadáver” (11), ao mesmo tempo em que exorciza o corpo morto, tem um efeito dissuasivo, convencendo os outros a não fazer o mesmo. A família do suicida deve assistir publicamente todos os procedimentos em torno do cadáver.
 
Na Idade Média europeia não existia aquilo que apenas a partir do século XVIII surge com o nome de “suicídio filosófico” (12). Desgosto da vida, ou considerar que a vida não vale a pena, essas seriam atitudes atribuídas à loucura – o que era uma vantagem para as famílias, que não veriam confiscados os bens do morto. No início, essa loucura se chamava “melancolia”. Este termo também tem data de nascimento, um dos primeiros a empregá-lo o fez lá por 1265. A melancolia se manifesta pelo abatimento e pela tristeza, mas temos também o estado de frenesi ou fúria. Nesses casos, como o nome evidencia, temos atitudes violentas, às vezes fruto de delírios e alucinações. Certamente podemos concluir que, naquela época como ainda hoje, qualquer comportamento que evidencie alguma forma de depressão ou de indignação, pode ser rotulado de loucura – o que me parece muito conveniente, tanto para resolver de forma insatisfatória os problemas familiares, quanto para controlar os corações e mentes de seus seguidores, sejam cidadãos ou adeptos de uma religião qualquer.
 
No século XIV verifica-se na França a intenção de abrandar as punições em caso de suicídio. Ainda assim, mesmo que seja por desgosto da vida, o ato ainda é entendido como evidência de loucura – embora o conceito de loucura seja bastante amplo nessa época. Até entre os teólogos e moralistas a pressão diminui. Resgata-se a ideia do suicídio de Cristo e não se recusa uma sepultura ao corpo do suicida. A literatura enaltece os suicídios por amor e honra. No final das contas, apesar de o suicídio ser repudiado, a atitude medieval é mais branda do que manda a letra da Lei (13). 
 
***
 
Não se trata de apologia ao suicídio. A questão levantada aqui aponta noutra direção. Com a desculpa de defesa da vida, a Igreja (e um Estado não laicizado) nega autonomia aos indivíduos – que deveriam ser os donos do próprio destino. A Igreja Católica e suas vertentes protestantes, assim como qualquer outra confissão religiosa não têm o direito de neutralizar o livre arbítrio do ser humano. Sem essa capacidade básica das pessoas, as próprias religiões não contariam com adeptos, posto que (supostamente) foi o livre arbítrio de cada um (e não o medo) que os levou a comungar esta ou aquela fé. Por que não se discute a cobrança de dízimos? A fé de uma pessoa deveria ser julgada pelo crescimento espiritual e não pelo tamanho da contribuição financeira e/ou material – crescimento espiritual e dízimo não são sinônimos. A fé deveria preencher o coração e não o bolso. 
 
Leia também: 
 

Notas:

1. MINOIS, Georges. História do Suicídio. Tradução Serafim Ferreira. Lisboa: Teorema, s/d. P. 35. 
2. Idem, p. 36. 
3. Montanismo é um movimento cristão do segundo século fundado por Montano. Os montanistas declaravam-se possuídos pelo Espírito Santo e, por isso, profetizavam. Segundo estas profecias, uma outra era cristã se iniciava com a chegada da nova revelação concedida a eles. Esse movimento surgiu na Frígia (Ásia Menor Romana, hoje Turquia), pelos anos 170 d.C. Havia duas mulheres, Priscila e Maximila, que eram as porta-vozes proféticas de Montano e dizia que o Espírito Santo falava através delas. Fez muitas predições proféticas enganosas, pois jamais foram cumpridas, como a de que a aldeia de Pepuza, na Frígia, seria a Nova Jerusalém. Proibia certos alimentos, exigia jejuns prolongados e não permitia o casamento de viúvas, como também negava o perdão de pecados graves ao novo convertido, mesmo após o batismo (com confissão e arrependimento). Montano queria fundar uma nova ordem e reivindicar seu movimento como sendo um movimento especial na história da salvação. O principal motivo de Montano era lutar contra a paralisia e o intelectualismo estéril da maioria das igrejas organizadas na época. Infelizmente, ele também caiu em extremos enganosos. Esse movimento foi condenado várias vezes por vários sínodos de bispos, tanto na Ásia Menor como em outros lugares. A Igreja montanista se espalhou pela Ásia Menor, chegou a Roma e ao norte da África. Seu adepto mais famoso foi, sem dúvida, Tertuliano - o maior teólogo de então. (Fonte Wikipedia) 
4. MINOIS, Georges. Op. Cit. , p. 36. 
5. Idem, p. 46. 
6. Ibidem, p. 37. 
7. Ibidem, p. 39. 
8. O Donatismo foi uma doutrina religiosa cristã, considerada herética pelo catolicismo. Persistiu na África romanizada nos séculos IV e V. O seu nome advém de dois bispos com o mesmo nome: Donato de Casa Nigra, bispo da Numídia; e Donato, o Grande, bispo de Cartago. Os donatistas defendiam que os sacramentos só eram válidos se quem os ministrava era digno. Na religião católica, porém, crê-se que os sacramentos valem por si, seja o ministrante (geralmente um sacerdote) um indivíduo corrupto ou não. Os autores que mais influenciaram os donatistas, em termos de doutrina religiosa, foram São Cipriano, Montano e Tertuliano. O bispo de Hipona, Santo Agostinho, fez campanhas contra esta crença e foi principalmente graças aos seus esforços que a Igreja católica acabou por vencer a controvérsia. Com a ocupação vândala do norte de África, o donatismo voltou a ter, aí, alguma preponderância, o que continuou a acontecer depois da reconquista bizantina destes territórios por Justiniano. Desconhece-se quanto tempo persistiu depois da conquista muçulmana. (Fonte Wikipedia) 
9. MINOIS, Georges. Op. Cit. , p. 41. 
10. Idem, p. 44. 
11. Ibidem, p. 49. 
12. Ibidem, p. 52. 
13. Ibidem, p. 55. 
 

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