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Roberto Acioli de Oliveira

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18 de mar de 2011

A Mulher Futurista!?


“É preciso fazer da luxúria
uma obra de arte”


Os Futuristas rejeitavam a mulher casta e fonte de prazer apresentada ao público italiano pelo poeta Gabriele D’Annunzio (ao lado, Auto-Retrato, Wanda Wulz, 1932). Quando Marinetti proclamou “o desprezo pela mulher”, ele se referia a essa mulher fabricada pela cultura romântica. O programa político futurista exigia a paridade de salários, a igualdade jurídica e o direito ao voto para as mulheres – no caso dos salários, talvez o caminho ainda seja longo e sinuoso... A posição generalizada entre os futuristas era de recusa da visão redutora e tradicional em relação à mulher. Dentre as primeiras telas dos pintores futuristas encontram-se tanto prostitutas (As Novas Sacerdotisas, Carlo D. Carrá, 1910) quanto refinamento e sensibilidade na mulher moderna (A Mulher Futurista, Umberto Boccioni, 1910). Valentine de Saint-Point (1875-1953) aderiu: “Minha vida e minha obra em perfeito acordo tendem sem cessar às virtudes eternas e modernas que preconiza o Futurismo”.

Valentine era escritora, poeta, pintura, dramaturga, crítica de arte, coreógrafa, conferencista e jornalista, e lançaria em 1912 o Manifesto da Mulher Futurista – onde questiona inclusive algumas posturas misóginas contidas no Manifesto Futurista. Valentine propõe um modelo de mulher moderna enquanto “criatura em quem o instinto está pleno de lucidez”. Em 1913, ela lança o Manifesto Futurista da Luxúria. Contestando o feminismo tradicional, Valentine reivindica a libertação erótica da mulher em nome da força vital e da criação: “É preciso fazer da luxúria uma obra de arte”. O inconformismo de sua ideologia feminista reside na luta por uma total emancipação do desejo. Nos anos que se seguem, o Futurismo é o movimento que conta com o maior número de mulheres: escritoras, poetas, fotógrafas, dançarinas, esportistas, aviadoras, pintoras e escultoras, filósofas e atrizes. Elas elaboram uma interpretação feminista do futurismo, fazendo de suas próprias vidas pouco convencionais o modelo da mulher moderna: livre e ativa, capaz de questionar a instituição da família e de participar sem complexos o advento da sociedade futura (1).

Nota:

Leia também:

1. LISTA, Giovanni. Le Futurisme. Paris: Éditions Pierre Terrail, 2001. P. 32.

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