Este sítio é melhor visualizado com Mozilla Firefox (resolução 1024x768/fonte Times New Roman 16)

Roberto Acioli de Oliveira

Arquivos

24 de mai de 2009

Rosto sem Rosto: Prosopagnosia


Tomamos o sentido da visão como um dado em si. Tendemos a acreditar que olhar e ver, ou olhar e compreender aquilo que se olha, são coisas equivalentes. O máximo que fazemos com relação à visão é distingui-la do estado de cegueira, seja parcial ou absoluta. Ou nascemos já cegos, ou desenvolvemos a perda da visão ao longo da vida. O mais comum é percebermos a perda progressiva ao longo da vida em relação à capacidade de distinguir detalhes. Na cultura ocidental contemporânea tudo gira em torno da visão. Tudo é muito “visual”. Considere então a existência de uma disfunção orgânica que, ainda que não faça você perder a capacidade de ver, impede que seu cérebro organize as imagens permitindo que você possa reconhecer os rostos das pessoas à sua volta – incluindo aqueles de seus próprios familiares e amizades.


Prosopagnosia é o nome científico desta disfunção, que se caracteriza pela incapacidade em distinguir rostos. O termo é grego, prosopo (rosto) + agnosia (incapacidade para reconhecer). Podemos chamar de “cegueira facial”. Existe um pequeno ponto no centro do cérebro com apenas uma função, reconhecer um rosto em um décimo de segundo. A cegueira facial é uma disfunção deste pequeno ponto. Para quem tem cegueira facial, todo rosto é o rosto de um estranho. A pessoa não consegue fazer a leitura da linguagem não-verbal que nós normalmente fazemos quase automaticamente. É possível reconhecer um sorriso, mas não dá para saber se é um sorriso sarcástico, forçado ou feliz. Toda a carga não-verbal das mensagens que podemos passar pelo olhar (olhos tristes, por exemplo) não é captada por alguém com cegueira facial.

Documentada desde centenas de anos antes de Cristo, só foi nomeada em 1947, sendo considerada uma condição muito rara. Atualmente, o diagnóstico já é possível, mas ainda é muito difícil. Existe a hipótese de que haja uma ligação com autismo ou Síndrome de Asperger. Não há cura, apenas métodos para o reconhecimento de rostos. Por exemplo, podem se concentrar nas vozes das pessoas, movimentos característicos, cortes de cabelo, barba. Compreende-se então porque as pessoas que tem cegueira facial dizem ter grandes problemas com uniformes. Para ficar claro, não é a visão de alguém que é ruim, mas sua capacidade de reconhecer os rostos das pessoas. É como quando temos pouca capacidade de distinguir vozes, podemos ouvi-las perfeitamente, apenas não conseguimos ligar cada som a uma pessoa em particular – mesmo que seja uma pessoa próxima.

Postagens populares (última semana)

Quadro de Avisos

Salvo quando indicado em algum ponto da página ou do perfil, este blog jamais foi patrocinado por ninguém e não patrocina nada (cursos, palestras, etc.), e jamais "doou" artigos para sites de "ajuda" a estudantes - seja no passado, presente ou futuro. Cuidado, não sejam enganados por ladrões da identidade alheia.

e-mail (no perfil do blog).
....

COMO CITAR ESTE BLOG: clique no título do artigo, verifique o link no alto da tela e escreva depois do nome do autor e do título: DISPONÍVEL EM: http://digite o link da página em questão ACESSO EM: dia/mês/ano

Marcadores

Action Painting Androginia Anorexia Antigo Egito Antonioni Antropologia Antropologia Criminal Aristóteles Armas Arquitetura da Destruição Artaud Arte Arte Degenerada Arte do Corpo Auto-Retrato Balthus Bat Girl Batman Baudrillard Bauhaus Beckmann Beleza Biblioclasta Body Art botox Bulimia Bullying Buñuel Burguesia Butô Cabelo Carl Jung Carnaval de Veneza Carolee Schneemann Castração Censura Cesare Lombroso Cézanne Chaplin Charles Darwin Charles Le Brun Chicago Cicciolina Ciência Ciência do Concreto Cindy Sherman Cinema Claude Lévi-Strauss Claus Oldenburg Clifford Geertz Clitoridectomia Close up Comunismo Corpo Criança Cristianismo Cubismo Cultura Da Vinci Dadaísmo David Le Breton Descartes Desinformação Déspota Oriental Deus Diabo Distopia Erotismo Eugenia Europa Evgen Bavcar Expressionismo Fahrenheit 451 Falocentrismo Família Fascismo Fellini Feminilidade Feminismo Ficção Científica Filme de Horror Fisiognomonia Fluxus Fotografia Francis Bacon Francisco Goya Frankenstein Franz Boas Freud Frida Kahlo Fritz Lang Frobenius Futurismo Games Gaudí Gauguin George Lucas George Maciunas Giacometti Giambattista Della Porta Gilles Deleuze Giuseppe Arcimboldo Goebbels Grécia Griffith Guerra nas Estrelas H.G. Wells Herói Hieronymus Bosch História Hitchcock Hitler Hollywood Holocausto Homossexual HR Giger Idade Média Igreja Imagem Império Romano imprensa Índio Infibulação Informação Inquisição Ioruba Islamismo Jackson Pollock Jan Saudek Janine Antoni Johan Kaspar Lavater Judeu Judeu Süss Kadiwéu kamikaze Konrad Lorenz Koons Ku Klux Klan Kurosawa Le Goff Leni Riefenstahl Livro Loucura Loura Lutero Madonna Magritte Manifesto Antropofágico Maquiagem Marilyn Monroe Marketing Máscaras Masculinidade Masumura Maternidade Matisse Max Ernst Merleau-Ponty Michel Foucault Mídia Militares Minorias Misoginia Mitologia Mizoguchi Morte Muçulmanos Mulher Mulher Gato Mulher Maravilha Mussolini Nascimento de Uma Nação Nazismo Nova Objetividade Nudez O Judeu Eterno O Planeta Proibido O Retrato de Dorian Gray O Show de Truman Olho Orientalismo Orson Welles Orwell Oshima Ozu Palestinos Panóptico Papeis Sexuais Papua Paul Virílio Pênis Perdidos no Espaço Performance Picasso Piercing Pin-Ups plástica Platão Pornografia Primitivismo Privacidade Propaganda Prosopagnosia Protestantismo Psicanálise Publicidade Purgatório Puritanismo Racismo Razão Religião Retrato Richard Wagner Rita Haywood Robert Mapplethorpe Rosto Sadomasoquismo Salvador Dali Sartre Seio Semiótica Sexo Sexualidade Shigeko Kubota Silicone Simone de Beauvoir Sociedade Sociedade de Controle Sociedade Disciplinar Sociedades Primitivas Sprinkle Stanley Kubrick Suicídio Super-Herói Super-Homem Surrealismo Tatuagem Televisão Terrorismo Umberto Eco Vagina van Gogh Viagem a Tóquio Violência Walt Disney Woody Allen Xenofobia Yoko Ono Yves Klein

Minha lista de blogs

Visitantes

Flag Counter
Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil License.