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Roberto Acioli de Oliveira

Arquivos

9 de jun de 2011

Arte do Corpo: As Cabeças de Gerhard Lang






Muitas vezes
nós acre
ditamos que
estamos a tentar entender
o que há por trás de um rosto,
mas geralmente descobrimos
que tudo que queremos
ver
é aquilo que os o
lhos
nos entregam




A Fisiognomonia Serve Para Fazer Arte

Fascinado pelo interesse que o rosto humano desperta na maioria das pessoas e pelo produto da pesquisa em fisiognomonia, o fotógrafo Lang reapresenta o trabalho desta pseudociência de um ponto de vista estético (1). Enquanto saber quem se pretendia objetivo, o ponto de vista da fisiognomonia durante o século 19 e início do seguinte era político-ideológico: mostrar que é possível conhecer o interior do ser humano a partir de seu exterior e provar a superioridade da raça branca. Lang se debruça apenas sobre o subproduto dessa pesquisa, um gigantesco acervo de imagens do rosto humano. Em 1869, o biólogo darwinista Thomas Huxley inicia um projeto com o objetivo de mapear as características físicas das tribos das colônias inglesas. O antropólogo francês Paul Broca foi uma inspiração, com sua classificação de medidas cranianas que supostamente permitiriam a determinação do grau de inteligência de algumas pessoas consideradas “boas” ou “más”, gente “de bem” ou criminosos. Na Itália, Cesare Lombroso colecionava fotografias de rostos de criminosos com o objetivo de classificar a “face do mal”. (Todas as imagens são de Palaeanthropical Physiognomony)






Gerhard Lang
produziu algumas
imagens muito
próximas
dos trabalhos da
fisiognomonia






Muito tempo se passou e outros nomes surgiram no horizonte dessa busca contraditória, o trabalho de Lang traz a luz essa obsessão pela taxonomia e chega a classificar o formato das nuvens e das manchas das vacas na Suíça! Lang também produziu cabeças compostas à maneira de Francis Galton (1822-1911), um antropólogo, meteorologista, matemático e estatístico inglês que sobrepunha várias imagens de criminosos com o objetivo de chegar ao traço físico básico da “face do mal”. No caso de Lang, cujas intenções são menos racistas-salvacionistas, produziu duas séries, em, daquilo que chamou Palaeanthropical Physiognomy (1991/2002). Inicialmente, o trabalho consistia em projetar fotografias de crânios do departamento de paleo-antropologia do Museu Senckenberg em Frankfurt, e também rostos de animais como corujas, abelhas e vespas sobre rostos humanos. Curiosamente, Lang acabou por produzir imagens bastante parecidas com aquelas de fisognomonistas e como Giambattista della Porta (1535-1615) e Petrus Camper (1722-1789), assim como de artistas interessados em representar as paixões como Charles Le Brun (1619-1690).







Com suas cabeças
compostas
, Gerhard Lang
tirou uma coisa do espaço
neutro do museu e a jogou
na galeria de arte







Em O Habitante Típico de Schloss-Nauses (1992), Lang fotografou todos os 52 habitantes de sua cidade natal na Alemanha de uma forma que lembra muito o método de composição de cabeças elaborado por Galton e pelo francês Alphonse Bertillon (1853-1914), um dos fundadores da antropometria criminal. Ao final, Lang sobrepôs as imagens de todas as mulheres e de todos os homens, depois juntos todos num só. Lang se refere a um “vazio” criado pelas composições de cabeças, pela natureza “não palpável” das imagens. O artista confessou que o impacto visual das composições enquanto imagens é incrivelmente poderoso, um dado que havia permitido a Galton fazer sucesso em sua época com esse experimento - antes que os cientistas começassem a se afastar dele. Para Lang, a classificação da imagem de um rosto humano é tão esquiva quanto a taxonomia das nuvens ou do malhado de uma vaca. Em suas tentativas para chegar à identificação de feições e, portanto, aproximar-se da “verdade fotográfica”, Lang e Galton encontraram uma matéria ambivalente e intangível.



“É estranho que
não tenhamos mais
capacidade de des
crever
a forma e feições pessoais do
que atualmente possuímos
. De minha parte, freqüentemente
me irritei com a incapacidade
para explicar verbalmente
semelhanças e tipos
de feições”
(2)



Todas as Cabeças de Archimboldo (I), (II), (final)

1. KEMP, Martin; WALLACE, Marina. Spectacular Bodies. The Art and Science of the Human Body from Leonardo to Now. Berkeley: University of California Press, 2000. Pp. 190-9. Catálogo de exposição.
2. Idem, p. 199.

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